domingo, 19 de junho de 2011

Eu me tornei parte da menor porção de um ser humano.
Já não faço parte de qualquer porção da felicidade
Vivo vagando pelas várias partes dessa cidade
Pra achar quem sabe uma simples parte do que fui um dia.

Abandonar as partes, encontrar o todo era o que eu queria
Pra viver feliz com todas as partes desse lado teu
Mas se por acaso por algum acaso não puder ser meu
Vou me entregar de uma vez por toda a melancolia.

O meu rosto triste irá encenar toda essa tragédia
O meu pranto vai umidificar todo esse meu rosto
Os meus olhos vão confidenciar todo o meu desgosto
Revelando a história que iniciou mas que teve um fim.

Vou seguir cantando, e eternizando tua parte em mim,
E vou apagar de uma vez por todas, todo traço teu,
E  como jamais poderei dizer que tu foste meu,
Eu não vou dizer, meus versos e prosas vão falar por mim.

Naldirene Barros..07.01.11.

sábado, 18 de junho de 2011

Sorriso certo

Acordei com a sensação de que o dia seria péssimo. Levantei, tomei  um banho e saboreei  apenas uma bela xícara de café como já era de costume.Liguei a TV mas nada me atraía , os carros que passavam lá fora me incomodavam. Dentro de mim um silêncio ensurdecedor não me deixava aquietar o espírito. Mais adiante pensamentos egoístas ecoavam e eu me perguntava o motivo daquela angústia. Não entendia por que ninguém havia me ligado até àquela hora, o que será que eu tinha feito ? o que eu mais queria naquele momento era desabafar, dividir com alguém todo aquele tédio que me rodeava. Depois de algum tempo sem nada fazer, decidi enfim que não mais iria definhar naquele sofá. Abri as janelas o dia lá fora estava perfeito, o vento que soprava com aquele cheirinho de maresia me fazia um convite a chegar mais próximo. Saí, resolvi não descer pelo elevador, naquele momento queria me exercitar quem sabe assim poderia aliviar aquilo que me corroia por dentro, então fui pelas escadas. Cheguei à portaria , cumprimentei a todos e fui em direção ao mar, quando me veio à mente parte de uma música de Renato Russo: “Sei que faço isso pra esquecer eu deixo a onda me acertar e o vento vai levando tudo embora”. Realmente eu tenho o hábito de deixar todos os meus conflitos comigo mesma e com os outros junto a eles e senti-los naquele momento me fazia sentir-se melhor. Depois de um tempo sentindo a brisa forte e a água gélida eu queria mais, quem sabe um amigo me bastasse naquele instante. Eu creio que o vento e o mar ouviram os meus pensamentos já que eu não falava nada, apenas deixava que o sal das minhas lágrimas se misturassem com o sal do mar, então foi quando senti uma mão que me tocou com cuidado, quando olhei ... desabei , chorei, sorri. Essa era a pessoa que eu queria ver naquele momento. Uma velha amiga que  a meses não via e tinha quase que perdido todo o contato. Ela sem nada dizer me abraçou , depois sentou-se ao meu lado e esperou que eu me acalmasse, mas eu não me continha , pois não tinha idéia de como um amigo pode nos fazer tanta falta. Depois que as lágrimas cessaram  fomos a um restaurante , eu degustei o vinho da casa e ela tomou apenas uma água enquanto conversávamos sobre as coisas da vida, quando tentei explicá-la tudo que houve , ela disse-me que não precisava, pois como sempre o meu silêncio quase raro a falava bastante e que era melhor deixar pra lá e não mexer na ferida. É impressionante , mas ela sabia tudo que se passava comigo , era como se fosse uma espécie de telepatia. Nunca me senti tão bem e sempre que algo me atormenta corro ao encontro dos meus amigos, que foram sem dúvida enviados por Deus . E por fim para que eu aquietasse ainda mais o meu espírito ela me sorriu , aquele sorriso verdadeiro e único ,que em meio a todos os meus amigos era o que eu mais gostava. Assim como minha angústia foi levada pelo vento e pelo mar ,aquele sorriso me lavou a alma.É, um simples e tão complexo sorriso, era tudo que eu precisava.